“É preciso cuidar da convivência e da interação”

Anna Grazielly Marques, da Dr. JONES, veste blusa branca com listras pretas e sorri para a câmera. Ela tem pele clara, cabelos compridos escuros e lisos, tatuagem no punho esquerdo e usa óculos de armação vinho.

A Joner de hoje é Anna Grazielly Marques, nossa analista de Recursos Humanos, que entrou na Dr. JONES como vendedora – e agora, com a coragem e inteligência emocional adquirida em anos e mudanças de carreira, encara o desafio de restaurar a convivência na pandemia.

Comunicação, simpatia e criatividade são competências que enfatizo com relação à Anna, [...] que me ensinou muito no que diz respeito à inteligência emocional.”

É assim que uma profissional que estudou com Anna Grazielly define a analista de Recursos Humanos da Dr. JONES.

O elogio tem razão de ser. Ao longo de 10 anos de vida profissional, antes de entrar na área de RH, Anna aprendeu a “ler” as pessoas, atuando em vendas – mas, assim como todos mudam e assumem novos desafios, ela também assumiu os seus.

Entre leituras e empatias

“Vendi várias coisas. Roupas, lingeries, acessórios, mas o que eu mais gostava era vender livros. Na livraria onde eu trabalhava, podíamos pegar um livro emprestado por 15 dias, e tinha desconto na compra. Era uma forma de podermos indicar algo para os clientes”. 

Minha pergunta óbvia era se ela já havia indicado algum. “Autores latino-americanos. São pouco conhecidos por aqui. Um exemplo é Mario Vargas Llosa. Ele tem uma literatura pesada, difícil, que precisa ser lida mais de uma vez”, explica Anna, com os olhos marejados. 

A razão é que ela se tornou leitora de Llosa por indicação de uma amiga, especialista em literatura – e, infelizmente, hoje falecida. Os temas do autor peruano? Liberdade frente à opressão, luta contra o racismo e crítica às desigualdades sociais

Uma pessoa tão aberta às diferenças e diversidades e contra as injustiças não podia deixar mesmo de ter uma forte empatia e inteligência emocional...

Promover a convivência

Foi também pela porta das vendas que Anna entrou na Dr. JONES. O desafio era vender cosméticos para homens em shoppings da Avenida Paulista, quando a empresa montava estandes antes da pandemia de COVID-19.  

“A média de idade era em torno de 25 até uns 30, 35 anos… e havia muitas mulheres também, que compravam para dar de presente para os maridos e namorados. Alguns dos rapazes achavam estranha essa coisa de usar produtos, cuidar da pele. Às vezes, eu até achava que o 'problema' era comigo, mas depois entendi que era uma coisa nova que a Dr. JONES estava apresentando para esse público”. 

A proposta da JONES conquistou os homens, e a Anna lembra dos feedbacks positivos que passou a receber.

“Os clientes compravam os produtos e depois voltavam porque tinham gostado. Alguns até compravam em quantidade. Um em especial, eu me lembro porque ele havia feito redução de estômago e dizia que o Abdoburn, nosso gel redutor de gordura, o ajudava muito a controlar os efeitos da flacidez na pele”.

Queremos reaproximar, mesmo a distância."

Enquanto ainda atuava em vendas, veio o desejo de tomar um novo rumo na carreira e entrar para a área administrativa. Formada pela Universidade Estácio de Sá, a primeira opção de Anna era… Ciências Sociais, mas, na ‘hora H’, acabou optando por Recursos Humanos – e não se arrependeu. 

Anna Grazielly Marques, de saia jeans, óculos e camiseta branca, olha para a rua de uma janela ao alto, de frente para a câmera, ladeada pelas portas de uma sacada.

Na Dr. JONES, Anna tem tido a oportunidade de atuar na nova formação e de exercitar, dentro do RH, a gestão de pessoas, a partir de um projeto que está em desenvolvimento.  

“Queremos reaproximar, promover a convivência, mesmo a distância. Aprimorar treinamentos e fazer com que, cada vez mais, cada colaborador se conheça". 

"É preciso cuidar disso, porque a pandemia infelizmente retirou parte da proximidade, da interação em todas as empresas e lugares”, reflete.

Ver o que ninguém vê

Essa visão sobre o outro ecoa práticas que ficam além da vida profissional: Anna é também voluntária em uma organização que fornece roupa, comida e assistência a pessoas em situação de rua.

Precisamos pensar no que realmente é importante."

“Muitas vezes, eles só querem conversar, e é incrível ver como são solidários. Às vezes, damos algo a alguém, e a pessoa oferece a outro, porque não precisa ou já pegou o dela. Isso nos ensina a pensar no que realmente precisamos e no que é importante”.

Enquanto isso, Anna Grazielly segue apaixonada por literatura, por Ciências Sociais, que quer estudar para seu próprio desenvolvimento pessoal – e por filosofia. Tem-se dedicado a ler um dos grandes nomes da sabedoria ocidental: Arthur Schopenhauer. 

Schopenhauer via na música a pura manifestação da vontade humana, em sua forma mais sublime. É dele a frase que resume a trajetória da analista, como profissional e como pessoa: “Importante não é ver o que ninguém nunca viu, mas sim pensar o que ninguém nunca pensou sobre algo que todo mundo vê”.

Imagens: Arquivo pessoal.

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