Jovem de óculos e pele clara, magro, usando jeans escuro e camiseta preta sorri para a câmera sentado em um puff laranja em sala de apartamento antigo com paredes verdes.

3 hábitos para se desapegar no ano novo e melhorar a saúde mental

5 dicas para combinar sapatênis, calça, bermuda e camisa Lendo 3 hábitos para se desapegar no ano novo e melhorar a saúde mental 6 minuto(s) Próximo Por dentro do produto: Areia de Bora Bora

Falar mal dos outros, agir sem pensar e disseminar fake news são maus hábitos que podem criar um círculo vicioso que prejudica quem recebe a ação e quem faz a ação. Que tal refletir um pouco mais e investir em saúde mental?

Todos ‘meio que sabem’ como se instala um hábito na nossa vida: somos motivados por alguma situação, começamos a fazer as coisas de uma certa maneira e, de repente, estamos tão acostumados que nem pensamos mais na hora de fazer. ‘Sai’ naturalmente.

Qual o conceito de hábitos?

Homem de pele clara e barba curta, cabelos escuros e lisos, curtos, e camisa quadriculada preta, branca e tons vermelhos e amarelos, põe a mão sobre a boca e queixo em atitude de pensamento.

Foto: Ik - Invading Kingdom | Unsplash.

O que chamamos hábitos não são apenas atividades que aprendemos a ‘fazer automaticamente’, sem qualquer outra consideração.

Na verdade, há áreas da ciência que se dedicam a estudar por que as pessoas fazem o que fazem e por que se mantêm fazendo ao longo do tempo.

Para a análise do comportamento – uma das linhas da psicologia –, por exemplo, o comportamento humano complexo é, na verdade, uma relação com, pelo menos, três integrantes.

Nessa relação, há o estímulo antecedente (o ‘contexto’) e a ação realizada na presença desse estímulo, a qual vai gerar uma consequência.

Quando essa consequência faz com que, diante do mesmo contexto (antecedente), a ação volte a ser realizada para obtê-la outra vez, o processo é denominado reforçamento. Diante disso, o que chamamos ‘hábito’ nada mais é do que comportamentos que adquirimos por processos de reforçamento.

A neurociência também estuda hábitos. Nesse caso, o comportamento e a criação de hábitos são relacionados ao funcionamento de uma série de estruturas cerebrais que se encontram, principalmente, no sistema extrapiramidal, cujos principais integrantes são o tálamo, o cerebelo e os gânglios de base.

Essa parte do sistema nervoso é a responsável por movimentos que fazemos ‘automaticamente’, sem pensar, como falar e andar. Ela que age quando, aos poucos, vamos aprendendo a executar um padrão psicomotor até que, por fim, ele sai ‘naturalmente’ e sem esforço.

Podemos desenvolver hábitos novos, é claro. O problema é que criamos muitos deles antes de conhecer todas as possibilidades disponíveis. Há hábitos tão enraizados que, mesmo que não produzam mais aquelas consequências, o próprio ato de ir lá e praticá-lo já é reforçador.

Claro que há fatores fora do nosso controle, como o preço da gasolina e da carne, as chuvas e se aquela pessoa te ama ou não, mas, dos que estão dentro, é a mudança de hábito que fará você finalmente cumprir suas promessas de ano novo.

Para isso, a dica é esforçar-se, como quando você faz para aprender qualquer coisa nova – e praticar, até que ela saia... ‘automaticamente’. Vamos, então, falar de três maus hábitos que é bom abandonar e substituir por outros?

1. Falar mal dos outros

Ilustração da Dr. JONES, com fundo azul, mostra homem com megafone.

Com raras exceções de pessoas que realmente não fazem por merecer elogio algum, falar mal por aí da família, dos amigos ou conhecidos, do chefe, dos colegas de trabalho é um veneno que não vale a pena cultivar.

Fazer ou disseminar fofocas – e falemos sério: dificilmente, fofoca é feita para ‘elogiar’ alguém – cria uma separação entre você e as outras pessoas.

Para quem ouve, passa uma impressão de que você não é alguém confiável para se desabafar, e fica difícil criar conexões saudáveis com os outros sem essa confiança.

A fofoca é, para algumas pessoas, um hábito. Falar mal já faz parte do modo de se expressar, como se fosse um desabafo baseado num descontentamento generalizado com a vida, e ela nem percebe mais o que está fazendo. 

Exercício. Foque as qualidades das pessoas (todo mundo tem). Pegar um papel e anotar, ou simplesmente mencioná-las para si mesmo ajuda a memorizá-las e confere uma ‘blindagem’ para os defeitos da pessoa na hora de interagir com ela.

Cuidado apenas para não exagerar e ficar completamente cego a algum defeito que possa vir a prejudicar você.

2. Falar sem pensar

Ilustração da Dr. JONES, com fundo azul, mostra homem com atitude de raiva e reclamação.

Não apenas falar, mas agir na base do ‘bateu-levou’ nem sempre é um hábito que vale a pena cultivar.

No jogo da vida, não ganha sempre o mais forte nem o mais rápido, mas o mais inteligente. Ser reativo coloca você num ciclo vicioso difícil de quebrar que abafa sua capacidade de reflexão e de análise sobre os temas.

É o local de fala do mal-educado, do explosivo, reclamão, do brigão. Tome o seu tempo para refletir e agir de acordo com as situações, sem exageros e sem acreditar que quem grita mais, pode mais.

Exercício. Sabemos que é difícil, mas aqui o exercício é priorizar a paciência e a parcimônia. Economize palavras. Ouça mais e fale menos.

Procure entender as razões das pessoas e analisar a situação antes de ‘explodir’ – e se explodirem com você e o ofenderem, saiba proteger-se, mas não embarque na espiral de raiva. Muitas vezes, deixar o ‘mal-educado’ falando sozinho é uma estratégia que mantém a paz e a sua saúde mental.

3. Repassar fake news

Ilustração da Dr. JONES, com fundo azul, mostra homem "segurando" a expressão "Zona de Conforto".

Hoje em dia, pode parecer difícil encontrar fontes de informação confiáveis e equilibradas – e, na correria do dia a dia, podemos adquirir o hábito de simplesmente copiar e colar ‘informações’ e ‘notícias’ nas redes sociais ou encaminhá-las por aplicativos de mensagem sem checarmos antes a fonte e o conteúdo.

O resultado é que, sem querer, acabamos ajudando a disseminar fake news, o que pode contribuir para que ganhemos a fama de alguém que emite opiniões rasas ou não é confiável naquilo que diz. 

Exercício. Diante de fatos ou informações novas, faça a si mesmo algumas perguntas que podem ajudá-lo a analisar com mais clareza a informação, como:

  • O que aconteceu? 
  • Por que aconteceu?
  • Quem são os envolvidos no fato?
  • Quais os interesses envolvidos no que aconteceu?
  • Qual parte da informação parece sem sentido?
  • Quem divulgou originalmente e por que teria feito?
  • Há uma base científica ou objetiva para a notícia?

Apegar-se aos hábitos é sua zona de conforto, é um lugar onde você já sabe como as coisas acontecem.

A dica é, portanto, sair dessa zona de conforto. Desligar o ‘piloto automático’ e tentar viver e conhecer coisas melhores, com uma vida mais bacana! 😀 

Se você conseguir sair do ciclo vicioso desses três maus hábitos que prejudicam seus relacionamentos e colocam você numa visão pessimista, vai conseguir criar novos hábitos saudáveis, com mais facilidade no futuro – e, claro, se sentir que precisa de ajuda para executar os planos, procure.

Aproveite e conte para nós: você já conseguiu largar algum mau hábito que havia prometido deixar no ano novo?

Foto/Destaque: Alejandro Cartagena | Unsplash. Ilustrações: Vivi Ferraz para Dr. JONES (todos os direitos reservados).

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