Resenha Dr. JONES: Saúde mental e masculinidade

Imagem em fundo azul-escuro e azul-claro em degradê mostra o letreiro: Resenha Dr. JONES, em letras brancas. Saúde Mental e Masculinidade, em letras brancas e fundo ciano nas letras.

O mês está acabando, mas as reflexões do Setembro Amarelo não devem ser esquecidas. Afinal, falar sobre saúde mental e masculinidade é importante... especialmente para os homens. Confira no segundo episódio da série Resenha Dr. JONES.

“É importante falar sobre o que é saúde mental, porque tem muito tabu sobre isso. Tem gente que acha que ter um transtorno mental – e estamos em 2021 – é ter um ‘grau de loucura’ ou ‘maluquice’, ‘coisa do demônio’, ‘falta de positividade na vida’”. 

Com essas palavras, Carlos*, assistente social que já trabalhou no atendimento à saúde mental e ele mesmo foi inicialmente diagnosticado com transtorno bipolar, começou sua entrevista para a Dr. JONES.

Qual é a importância da saúde mental?

A fala ressalta algo que ficou evidente e é trabalhado todos os anos por conta do Setembro Amarelo: a necessidade de combater preconceitos contra quem tem transtorno mental, falar sobre saúde mental e psicológica e aprender a identificar sinais de alerta em si e nas pessoas que amamos.

Em sua Constituição, redigida quando foi criada, a Organização Mundial da Saúde trouxe uma das mais completas e abrangentes definições do que vem a ser saúde:

Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade. 

Foto de homem negro, cabelo raspado levemente e barba, camisa preta, segurando, abraçando e beijando seu bebê, que veste macaquinho branco, azul e rosa.

Foto: Sahil Bhojani | Unsplash.

Isso mostra a importância não apenas de buscar profissionais da saúde – inclusive psicólogos e psiquiatras – quando algo não vai bem, mas também de falar sobre o assunto.

Além disso, é preciso combater numerosos 'mitos' que existem sobre saúde mental por aí. Afinal, quem busca auxílio e se trata está querendo o mesmo que eu e você: o próprio bem-estar. 

Carlos, que tanto já atendeu pessoas em busca de ajuda como ele mesmo já necessitou dela, diz que, muitas vezes, vem de pessoas próximas a percepção de que algo não vai bem.

“Eu, particularmente, sempre tive a perspectiva de buscar ajuda, em todos os momentos em que tive crises severas, mas, na minha experiência no atendimento, a maior parte das abordagens que eu fazia vinha muito mais a partir da identificação de terceiros, como familiares, chefia, amigos de trabalho etc. Muitas vezes, as pessoas têm dificuldade de chegar a um profissional de saúde”. 

O contador Russo* concorda. “Para mim, não foi fácil buscar ajuda contra a depressão [...]. Existe muito preconceito contra as pessoas que são deprimidas. Elas costumam ser tachadas de ‘fracas’, ‘frescas’, ‘mimadas’... Existe muita confusão sobre esse tema. Foi preciso minha mãe chegar até mim e me dizer que eu não estava bem para que eu decidisse procurar uma ajuda especializada", conta.

Saúde mental e masculinidade

Russo pontua outro fator, além do desconhecimento e preconceito, para alguém tardar em cuidar de si: o machismo. “Principalmente em uma sociedade como a nossa, dizer-se deprimido é entendido como ‘fraqueza’ – e o homem não pode ser ‘fraco’. Tem que mostrar o tempo todo que é uma fortaleza”, comenta.

Por causa dessas questões, o segundo episódio da Resenha Dr. JONES chamou o psicólogo Henrique Alves** para discutir saúde mental e masculinidade. Assista ao vídeo, que tem roteiro e direção de João Marinho e Lara Pugin e edição de Vitor Aidamos – e aproveite para conferir nosso canal no YouTube

Saiba mais

  • Qual a importância do Setembro Amarelo?

A campanha surgiu em 1994, nos Estados Unidos, quando Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio. Seus pais decidiram distribuir cartões amarrados em fitas amarelas com frases de apoio a quem pudesse estar enfrentando problemas mentais. 

Desde então, durante o mês, empresas, escolas e outras entidades discutem sobre saúde mental e a importância de escutar os entes queridos e levar a sério o autocuidado.

  • Como reconhecer os sintomas da depressão?

Não apenas para a depressão, mas para qualquer diagnóstico ou situação emocional, a dica é estar aberto a se questionar. 

“Sabe quando você não consegue alcançar aquilo que você quer, mas não sabe bem o porquê, quando você quer sair da situação em que você está, mas, ao mesmo tempo, não acha um caminho? Você fica com a sensação de que a vida está ‘pequena’. É muito mais do que apenas acordar um dia chorando”, explica o psicólogo Henrique Alves. 

Sentimentos assim, vontade de fugir e deixar tudo para trás, perda de interesse nas coisas que você sempre gostou de fazer e até dormir demais, sem energia para fazer essas coisas, são sinais de que é bom buscar ajuda especializada – e lembre-se: não tem nada de errado nisso. Afinal, todos nós podemos passar por momentos difíceis.

  • Onde buscar ajuda

Foto de homem de cabelos compridos amarrados, pele clara, barba e camiseta preta regata fazendo carinho em seu filho bebê no berço.

Foto: Tyler Nix | Unsplash.

O site do CVV – Centro de Valorização da Vida traz muita informação sobre saúde mental e questões emocionais. 

Além disso, é possível ligar e conversar com um atendente, gratuitamente, pelo número 188

Uma outra opção gratuita é buscar atendimento numa unidade do CAPS – Centro de Atenção Psicossocial na sua cidade.

Os CAPS, que também recebem pessoas que usam drogas psicoativas, são geridos pelo SUS. Informe-se no seu município. 


Finalmente, existem os consultórios de psicólogos e psiquiatras particulares ou via planos de saúde. Os profissionais podem, inclusive, atuar em conjunto. 

O importante é saber que muita gente está com a mão estendida. Basta segurar.

E aí, curtiu? Comente o que achou e deixe suas sugestões para as próximas Resenhas Dr. JONES.

Foto/Destaque: Dr. JONES (todos os direitos reservados).

* Nome fictício para preservar a identidade do entrevistado.

** Henrique Fernando Rocha Alves é psicólogo clínico e analista do comportamento, pesquisador e coordenador do Núcleo de Pesquisa e Extensão sobre a Pena e a Execução Penal da USP (NPEPEP-USP). É também cofundador do projeto PsicoHaus, canal de divulgação científica focado em psicologia.

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