Em artigo sobre saúde do homem e câncer de próstata, foto mostra três amigos jovens, pele clara, sentados em um muro. O da esquerda e direita usam boné e camiseta. O do centro, de cabelos compridos, camiseta com camisa e calça com estampa.

Resenha Dr. JONES: Novembro azul e saúde do homem

Em artigo sobre saúde do homem e câncer de próstata, foto mostra três amigos jovens, pele clara, sentados em uma mureta, dois de cabelos escuros e o do centro, loiro. O da esquerda e da direita usam, respectivamente, bermudas cinza e preta: o primeiro, camiseta preta e boné; o segundo, camiseta branca e boné. O do centro usa camisa branca, embaixo de camisa listrada, calça com estampa e cabelos compridos.

O câncer de próstata é um dos maiores perigos para a saúde do homem. Daí a importância da prevenção – mas o que você realmente sabe sobre a doença? Como preveni-la e qual o tratamento? Nós tiramos essas e outras dúvidas sobre o câncer e a saúde do homem nesta edição da Resenha Dr. JONES.

Que novembro é mês de conscientização sobre o câncer de próstata, você está careca de saber – mas você sabe quais são os sintomas? Como é feito o tratamento ou, ao menos, onde exatamente fica a próstata? E ainda tem 'medo' do exame de toque retal? 

Trabalhamos duro para reunir suas principais dúvidas aqui, num só lugar – e com direito a um vídeo, em parceria com a Bayer pela saúde masculina!

Por que é importante falar sobre o câncer de próstata?

Você sabia que os homens vivem, em média, 7 anos menos que as mulheres? E as razões para isso são estruturais, segundo o oncologista Fernando Vidigal.

"Existe uma questão cultural. O homem aprendeu que ele não pode adoecer, que ele é o sexo forte, que ele não pode chorar, que ele não pode se cuidar – e tudo isso leva a uma série de problemas", comenta o Dr. Fernando.

Um deles é exatamente o fato de que muitos homens adiam ou simplesmente decidem não fazer exames preventivos, mesmo para doenças que são específicas, como o câncer de próstata.

Para comentar sobre isso, Guilherme Campos, CEO da Dr. JONES; e Fabrício Dias Moreira, representante da Bayer, bateram um papo com o Dr. Fernando e com Sergio Santos, que foi diagnosticado com o câncer, na Resenha Dr. JONES especial do Novembro Azul. Assista.

O que é a campanha Novembro Azul?

Esta pode ser uma das primeiras perguntas, por pura curiosidade: por que, afinal, no Brasil, o mês de novembro é 'azul'?

A resposta começa na Austrália, onde nasceu o movimento Movember – uma junção das palavras moustache, que é bigode em inglês, e o nome do mês. 

Foto de homem indiano, idoso, de pele escura, que usa uma echarpe sobre camisa branca. Ele tem cabelos brancos e um grande bigode, também branco. Homens negros sofrem mais incidência do câncer de próstata.

Foto: Church of the King | Unsplash.

Em 1999, um grupo de amigos da cidade de Adelaide criou o termo 'Movember'. 

Os rapazes, então, começaram a deixar o bigode crescer durante todo o mês para chamar a atenção para problemas de saúde masculina. 

Ainda usando o bigode como símbolo, a ideia cresceu e virou uma fundação, criada em 2004, que dá informações e arrecada fundos para promover a prevenção a três preocupações principais na saúde do homem.

São elas: câncer de próstata; câncer do testículo; e saúde mental, com prevenção ao suicídio. 

Eventos acontecem em vários países, e, da Austrália, a iniciativa espalhou-se pelo mundo.

De modo geral, a conscientização a respeito do câncer de próstata é o foco principal na maioria dos países e ganhou o famoso laço/fita azul. As datas e meses, porém, podem variar.

No Brasil, ficou o mês de novembro inteiro, que ganhou o nome de Novembro Azul. A campanha foi criada em 2011 pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, que atua no combate ao câncer, às doenças cardíacas e na promoção da saúde do homem.

Na Europa, há o Dia de Conscientização contra o Câncer de Próstata, observado em 17 de novembro. Nos Estados Unidos, porém, o 'mês azul' é setembro.

O que é a próstata, afinal?

Trata-se de uma pequena glândula que fica abaixo da bexiga e na frente do reto (parte final do intestino).

A próstata produz um líquido que faz parte da composição do sêmen – também conhecido como esperma – e que nutre e protege os espermatozoides em sua jornada.

Ela, porém, não é responsável nem pela ereção nem pelo orgasmo masculino. 

Em homens jovens, a próstata tem o tamanho aproximado de uma ameixa, e é normal que vá crescendo conforme a idade avança. 

Essa situação de próstata aumentada, sem significar uma doença grave como o câncer, é o que se chama hiperplasia prostática benigna.

O que é o câncer de próstata? 

Todas as células do nosso corpo têm sua função e seu próprio ciclo de vida. Quando morrem, são substituídas por outras.

No entanto, por vários fatores, que vão da genética à alimentação, de exposição à radiação e até ao envelhecimento, as células podem multiplicar-se de uma forma desordenada no corpo, gerando tumores.

Em alguns casos, elas perdem sua função original e podem invadir outros órgãos diferentes daqueles de onde surgiram. Essa é a característica dos tumores malignos, que são chamados... câncer – e existem de vários tipos. 

O fator genético ainda é o maior indicativo de risco de desenvolvimento de câncer, mas outros fatores de risco importantes incluem obesidade, má alimentação, sedentarismo, a idade (50+) e a exposição a materiais químicos como o arsênio e os derivados de petróleo. 

Desenho esquemático da localização da próstata, órgãos próximos e tumor cancerígeno.

Imagem: Instituto Oncoguia e American Cancer Society (Reprodução).

Eventualmente, a próstata pode ser a origem da multiplicação de células malignas, e esse problema precisa ser levado a sério: o câncer de próstata, sozinho, é a causa de morte de mais de 28% da população masculina que desenvolve tumores – e, no Brasil, um homem morre a cada 38 minutos devido à doença. 

Além disso, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são esperados mais de 65 mil novos casos de câncer de próstata no Brasil em 2021. Isso representa mais de 29% dos tumores no sexo masculino. 

Obesos, pessoas com histórico familiar próximo (pai, tio, irmão) e homens negros, que sofrem mais incidência desse câncer, precisam ter uma atenção redobrada. O fator idade também é importante.

Quais os sintomas de quem está com câncer de próstata?

Foto de mictório, em preto e branco, localizado em banheiro público. Urinar repetidas vezes pode ser sintoma de câncer de próstata.

Foto: Help Stay | Unsplash.

Quem tem câncer de próstata sente dor, ou alguma outra coisa? 

Bom, inicialmente, precisamos alertar você que, infelizmente, na maioria dos casos, o câncer de próstata não apresenta sintoma algum na fase inicial.

Isso é um desafio, porque é justamente quando ele precisa ser detectado, melhorando as chances de cura.

Por isso, a importância da conscientização e prevenção, deu pra captar? Não espere que os sintomas surjam para procurar um médico. 

Os sintomas acontecem, com frequência, quando o tumor já cresceu e, inclusive, pode ter-se espalhado para outros órgãos.


Na verdade, quando alguns dos sintomas começam a aparecer, cerca de 95% dos tumores já estão em estágio avançado. Esses sintomas incluem:

  • Dificuldade e/ou dores para urinar;
  • Demora tanto para começar quanto para acabar de urinar;
  • Sangue na urina ou no sêmen;
  • Vontade de urinar várias vezes ao dia e à noite;
  • Jato de urina mais fraco.

Sintomas como dor lombar, problemas de ereção, dor na bacia ou joelhos e sangramento pela uretra podem ser suspeitos. Não deixe de contar ao médico. 

Como é feito o diagnóstico do câncer de próstata?

Os exames iniciais são:

  • O temido (para alguns) ‘exame do toque’. O exame de toque retal é importante porque ele detecta a próstata aumentada. Por meio do reto, o médico consegue tocar a glândula e identificar se há alterações, que podem ser tanto comuns quanto levar à suspeita de câncer;
  • O exame sanguíneo para detecção do nível de PSA (antígeno prostático específico).
Foto de tubos de coleta de sangue, de vários tipos, em cesto próprio, amarelo, para acondicionamento. A imagem remete a exames sanguínes de prevenção ao câncer de próstata.

Foto: National Cancer Institute (USA) | Unsplash.

Esses dois exames, porém, servem como rastreamento. O que realmente identifica o tipo de tumor é a biópsia, que só deve ser realizada caso o médico realmente identifique a necessidade, a partir dos dois primeiros.

Por isso, o mais importante é realizar a consulta com seu urologista e apresentar o histórico familiar, inclusive de outras enfermidades. Os sintomas do câncer de próstata e até mesmo o resultado do PSA podem indicar outras doenças.

Apenas o médico, com conhecimento do seu histórico familiar, pode instruir quais exames devem ser realizados. 

Qual a idade certa para fazer os exames?

A recomendação oficial é que o acompanhamento anual com urologista comece aos 50 anos de idade, por ser uma doença mais comum na maturidade, especialmente após os 65 anos.

No entanto, caso haja histórico na sua família de primeiro grau (irmãos, pai e tios), pode-se começar a acompanhar mais cedo, aos 40 anos. 

Quais os tratamentos para câncer de próstata? 

Foto de homem maduro, cabelos brancos, óculos e camisa polo verde, em alusão à prevenção do câncer de próstata.

Imagem: Foto Sushi | Unsplash.

A medicina está em constante evolução, e, nos últimos anos, novos tratamentos têm surgido. 

Após a biópsia que confirma o tumor, o médico analisará o estágio em que ele se encontra, se ele está concentrado no local ou não e a idade e condições clínicas do paciente. 

Entre os tratamentos, está a cirurgia (prostatectomia), a radioterapia (externa ou braquiterapia), tratamentos hormonais e quimioterapia (se a doença está disseminada). 

Dependendo do estágio e da resposta do corpo, sim, o câncer de próstata tem cura. Nas fases iniciais, as chances chegam a 90%. 

Não coloque, porém, o carro na frente dos bois.

Há casos em que o tratamento recomendado é a vigilância ativa, ou seja, o simples acompanhamento da evolução da doença.

A vigilância ativa é oferecida em casos de câncer de próstata de baixo risco e, na maioria dos casos, para homens mais idosos. 

Como têm uma expectativa de vida maior, homens mais jovens não costumam beneficiar-se dessa abordagem, pois as chances de haver complicações a longo prazo podem ser altas.

Um papo reto sobre o exame de toque 

Com perdão do duplo sentido (papo ‘reto’, sacou?), mas para a gente combater o preconceito com a prevenção – e podermos realmente criar uma rotina de autocuidado –, precisamos falar sem tabus sobre o famoso 'exame do toque'. 

Uma coisa que a gente precisa entender é que, sim, o exame envolve o dedo do médico, mas o dedo não é introduzido no ânus do paciente até o fundo, muito menos de forma brutal.

A próstata é examinada com o dedo perto da entrada, não tão terrivelmente diferente da experiência de dedos e ânus que você tem no seu banho (ou deveria ter).

Depois, o urologista não estudou e alcançou essa especialização para poder apenas realizar exames de toque nos seus pacientes e muito menos ter prazer com isso.

Precisamos parar de relacionar profissão com desejo sexual, até porque, acredite, o ambiente do exame não é sexualmente estimulante nem para quem, de fato, gosta de brincadeiras lá atrás. É uma questão de saúde, não de prazer sexual.

Assim sendo, nosso ‘recém-inaugurado’ instituto Dr. JONES recomenda: junte logo seus amigos e familiares e marquem todos no mesmo dia na clínica para fazerem o exame.

Foto/Destaque: Toa Heftiba Şinca | Pexels.

Fontes: Ministério da Saúde (MS), Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Instituto Nacional do Câncer (INCA), Portal da Urologia, Instituto Lado a Lado pela Vida, Instituto Oncoguia e Bayer Brasil.

Leia também: