O primeiro barbear na relação pai e filho

Nasci no dia do aniversário do meu pai. Eu costumava infernizar minha irmã mais nova, falando que EU era o maior presente da vida dele. Apesar de mais nova, ela era mais forte e eu sempre apanhava. Mas na minha cabeça de criança, provocá-la sempre valia a pena.

E então meu pai morreu. 

Ele lutava contra leucemia há muitos anos e um dia ele se foi. E eu nunca mais comemorei meus aniversários com ele. Toda vez que eu apago as velas (ou corto o bolo de baixo para cima) eu apenas desejo que ele saiba que eu o amo.

Mas eu nunca desejo que ele esteja comigo.

Veja bem: é muito fácil amar uma pessoa morta, ela não erra mais. Isso foi o que nunca me falaram enquanto ele ainda estava vivo.

Meu pai era uma pessoa difícil. Ele era bastante carinhoso por uns 15 minutos e então ficava sem paciência, porque não gostava de barulho. Minha risada o incomodava. Mas como você pode exigir silêncio para crianças?  


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